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Era da dor, do medo e do resto de tudo ao redor
que ela fazia música, sonhos e caminhos.
o que ficava das intactas noites sem poema,
do embaçar do sol do meio dia, da fome e de coisas guardadas sem finalidade .
Mesmo se ria, ou não, se em seus olhos míopes dançavam visões de um mundo inexistente,
era como se lançasse numa agonia, difusa, abstrata,
e ficasse febril diante de tanta realidade que não lhe pertencia,
ou de uma realidade de que não queria pertencer.
E, assim ela anotava tudo, nuvens soltas, farrapos de céu numa janela aberta,
escrevia cada segundo seu, com cuidado de eternizá-los em escrita precisa e leve;
com seus dedos suspensos numa partitura de solidão.
Dançava na poeira estelar das cores já desfeitas pelo tempo,
o tempo a desbotava, desgastava cada alegria sua.
mas, antes que o tempo pudesse arrancar dela o sentido de sua vida,
ela corria logo a buscar as coisas que anima o coração.
Silvia 2009

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