Primeiro foi o bule,
de seguida foi a asa.
Que mais irás quebrar?
Não sei o que fazer com o teu sim,
o teu não, o teu
passa-me o açúcar.
A distância dos teus olhos não a sei
abreviar, o latido dos teus sonhos
não me deixa adormecer.
Gostava de te amar um pouco menos,
de voltar ao meu rebanho
de feridas e sopores,
regressar ao rijo barro dos domingos
em que não te conhecia,
ao supor de suas tardes
quando ainda não sabia
da dureza do cimento, nem dos modos
de quebrar e ser quebrado.
José Miguel Silva

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