
Gostaria que tivesse me conhecido mais cedo.
Quando pintava o meu cabelo de muitas cores e ainda não tinha tempo para desgostos de amor. Gostaria de te ter conhecido mais cedo e de não estranhar o silêncio
Gostaria de ter crescido contigo para não ter de ouvir de outra pessoa: as tuas qualidades. Gostaria de ter estado contigo quando a paixão não era mais do que imaginação nas nossas cabeças.
Gostaria de estar preparada quando te conheci. Porque aí os anos já teriam passado e – aparentemente – não haveria desculpa para a minha timidez e medo. Gostaria de continuar a fazer-te perguntas. Não me importo que já não queiras responder. Só quero que acenes e sorrias e digas mais uma vez: Estás tão bonita. Para eu voltar a acreditar.
Gostaria de não me sentir escorregar nos teus olhos.
Gostaria que todos os caminhos me levassem a ti, mesmo que a minha vontade seja avessa ao coração. Gostaria que me conhecesse antes dos livros e das músicas. Sem desilusões. Quando fugia de casa às escondidas e voltava muito tarde sem medo dos castigos. Gostaria que me conhecesse destemida. Que não me visse sem interesse como agora. Mas te encontrei fora do tempo. Sempre dentro de dores que nunca foram nossas. E – assim – perdoe-me, são apenas as dores acumuladas de outros tempos que pesam em mim.
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