Não há pessoas felizes.
Até porque grande parte das pessoas não compreendem a felicidade.
Não sabem a diferença de ser feliz e ser alegre.
Ou não concebem um elo com o sorriso.
Porque para elas o mundo tem apenas o sim e não.
Se as pessoas compreendessem a felicidade, saberiam a diferença entre amar e desamar. Saberiam que uma razão depende de outra razão.
e que nem tudo que nos é necessário nos é suficiente.
E por isso não existem pessoas felizes.
Porque a felicidade não existe enquanto fenómeno contínuo
e o vazio das nossas razões também não.
Somos felizes em momentos, discretos, ao longo da continuidade da nossa vida.
Quando descobrimos que amamos. Ou somos amados.
Quando parimos ideias, filhos, sonhos. Sem género.
Quando nos apaziguamos com o nosso passado.
Esse eixo que teimamos em construir ao lado esquerdo das nossas amarguras.
Somos felizes. Mas queremos acreditar que apenas estamos felizes.
Da mesma forma que não há pessoas infelizes.
Porque um ou mais momentos discretos de infelicidade não são condição suficiente
para as pessoas se tornarem infelizes em absoluto.
E é por isso que me fascinam as histórias tristes sobre pessoas.
Porque todos as temos.
Porque fazem parte dos eixos em que nos desdobramos.
Porque as teimamos em esconder, com medo que se olharmos muito para elas,
possamos descobrir a terrível verdade. Que afinal somos infelizes.
Mas isso, é tão falso, e isto sim é uma verdade absoluta.

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